Entre Abelhas (2015) – Onde o visível se torna invisível

Cinema | Entre Abelhas: 

É a mais nova produção brasileira que chega agora aos cinemas brasileiros. Com roteiro de Fábio Porchat e Ian SBF que também assumiu a direção do filme. Muitos de vocês conhecem essa dupla pois trabalham no Porta dos Fundos um canal de humor no You Tube que também é transmitido na Fox.

Fábio assume também o papel de protagonista, Bruno que recentemente está divorciado e logo no começo da película nos deparamos com a sua “despedida de casado“. Algo que lembra bastante os vídeos do Porta.

Entre Abelhas (2015) - Onde o visível se torna invisívelCom o elenco inteiro do canal, mas existe além disso um grande elenco como: Irene Ravache (Mãe do Bruno), Giovanna Lancellotti (Regina). Trilha sonora de Gabriel Chwojnik (Medianeiras, 2005), direção de fotografia de Alexandre Ramos (Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, 2012) e direção de arte do Denis Netto (Alemão, 2014).

Bruno  um editor de imagens recém-separado da mulher, começa a deixar de ver as pessoas. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis.

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Bastou alguns segundos para que eu conseguisse assimilar que esse era um filme de produção nacional. Pois é algo que foge totalmente da atual produção cinematográfica brasileira. Com um roteiro muito bem escrito e uma grande direção a película de gênero drama se coloca na realidade como uma tragicomédia. Algo que se analisarmos está a um bom tempo sondando as criações do Fábio Porchat. A pequena série de quatro episódios intitulada “Viral” do Porta dos Fundos possuí não só comedia como drama, e a forma como é tratada a doença nessa pequena série é com comicidade, porém, feito de tal maneira que não fique debochado.

Pegamos o exemplo de “A culpa é das estrelas” que a forma como a narrativa do filme trabalha o câncer tem um certo ponto de comicidade, mas nada sendo extraordinário, são pequenas brincadeiras que levam a um riso maroto. Em Viral a um pouco mais de comedia, até porque a situação é de dois amigos de tempos tendo que lidar com isso, e em muitos casos usando a patologia para se dar bem com mulheres. Algo desse tipo também é usado no filme 50% (50/50) estrelado por Joseph Gordon-Levitt e Seth Rogen.

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Entre Avelhas

O filme brasileiro, porém, não trata de uma doença existente. Ela usa um conceito abstrato com um pano de fundo filosófico que nos faz pensar um pouco. Afinal quantas pessoas nós deixamos de enxergar por não serem importantes para nossas vidas?

Esse conceito foi também utilizado em outros filmes, como “Ensaio sobre a Cegueira” de 2008. Que provavelmente inspirou um pouco esse filme.

Sobre os atores não tenho muito o que reclamar. Fábio Porchat está bem, consegue passar o que o personagem pede e em cenas que necessitam de uma carga dramática, ele não deixa a desejar em duas cenas em especifico consegui enxergar o desespero no personagem .

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Me lembrou bastante o Jim Carrey no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” de 2004. Onde seu personagem é introvertido e pouco comunicativo, tanto que Fábio logo no começo do filme é aquele mais afastado do grupinho, e só se rebela um pouco por estar bêbado ou pela situação da qual sua “doença” faz.

A parte engraçada fica por conta de dois personagens, seu melhor amigo interpretado pelo Marcos Veras. Pois a todo momento no filme esperamos encontrar sempre a mesma situação que ele propõe. Que nesse caso não é repetitivo e chato, aqui essa repetição faz com que seja gradual e fique engraçada com o passar das cenas. E outra que nos faz rir bastante é a mãe, interpretada por Irene Ravache. Imagine a sua mãe, lembre-se de todas as coisas que ela te diz, como: “Vá arrumar seu quarto”, “não esqueça a blusa” ou “faça tal coisa…” que na verdade ira dar na mesma. Imaginou? Pois é, ela é o espelho das nossas mães e isso visto por uma visão em terceira pessoa fica muito bom. A atriz soube como trazer isso de maneira sublime.

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Tenho algumas ressalvas a fazer sobre a personagem da Giovanna Lancellotti, que interpreta a ex-mulher do personagem do Porchat. Achei ela um pouco distante e pouco focada. Sendo que quase não lembrava dela no filme se a cada momento ela não fosse mencionada. Apenas em uma cena vi uma boa interpretação dela. Não foi por falta de oportunidade pois o roteiro tinha até de sobra para que a atriz fizesse um bom trabalho.

entre_abelhas2Dos outros atores nada a reclamar, a maioria é do Porta dos Fundos e fizeram aquilo que sabem fazer de melhor, que é comédia.

Para compor a trilha do filme o argentino Gabriel Chwojnik fez um bom trabalho. E a sua composição faz parte da contextualização do filme. Munido do ótimo trabalho de direção de arte, a junção na obra final faz com que seja uma obra de arte e um clássico.

Nota---CDZ

Entre Abelhas é um filme que até agora está entre os primeiros de produção brasileira desse ano. Vale a pena ser visto. Existe uns pequenos furos no roteiro, mas nada que atrapalhe o andamento. Com uma ótima pitada de humor e que não te fará quebrar muito a cabeça para entender o que a película quer passar. Esteja disposto que você conseguirá entender.

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