O Quarto de Jack (2015) – Nada é Pequeno demais para a Imaginação de uma Criança

Cinema | O Quarto de Jack: 

Nunca presenciei a união entre claustrofobia, cativeiro e sonhos inocentes. Amor maternal e desespero, e nisso a autora Emma Donoghue consegue passar muito bem com o roteiro do filme “Room“, adaptado de sua própria obra literária.

Cartaz - O Quarto de JackRoom” é um filme dirigido por Lenny Abrahamson (Frank, 2014) e roteirizado por Emma Donoghue, adaptado de seu próprio romance do mesmo nome. A trilha sonora é de Stephen Rennicks (Frank, 2014) e a cinematografia de Danny Cohen (A Garota Dinamarquesa, 2015). No elenco temos Brie Larson (O Maravilhoso Agora, 2013), Sean Bridgers (Lugares Escuros, 2015), Joan Allen (O Legado Bourne, 2012), Jacob Tremblay (Before I Wake, 2016), Tom McCamus (Orphan Black [TV Series], 2014-15) e William H. Macy (Cake: Uma Razão para Viver, 2014).

O Quarto de Jack 3

Uma história sobre o amor entre mãe e filho, que com cinco anos, não conhece nada do mundo, exceto o quarto em que nasceu e cresceu acompanhado apenas por Ma (Brie Larson).

O roteiro é dividido em três atos e com maestria em suas duas primeiras partes a trama te prende, te deixa aflito e te faz querer estar a par de que tudo de certo na película. São personagens bem escritos, com uma elaboração incrível que te faz ter empatia total por eles e até ódio por alguns. Mas o que estava bom, dá uma decaída após o inicio do terceiro ato, o tom do filme passa a ser monótono e lento, dando a sensação de ser uma outra história, porém, retoma um pouco aquele “feeling” do primeiro ato para um final poético e lúdico.

O Quarto de Jack

Brie Larson é a protagonista, para todos os efeitos e interpreta Ma, uma mãe de primeira viagem que talvez não tenha tanta experiência. Sua interpretação é convincente e digna de aplausos, entendeu muito bem o que o roteiro queria e conseguiu extrair o máximo que poderia dele. Suas nuances, olhares e seu corpo no espaço conseguem dizer muito sobre quem é ela é ou era e para onde vai.

Sua relação com a criança é ótima, dinâmica e com muita química, sabemos o quanto é difícil extrair certas interpretações mirins, e aqui o diretor acertou em cheio na escolha, que trouxe um ar novo para o filme, de diferenças incríveis com a nossa protagonista, como esperança, inocência e sonhos fáceis e que no final das contas é o maior argumento do filme. O amor entre a mãe e seu filho.

O Quarto de Jack 4

Temos ainda outras interpretações importantes, como as de Sean Bridgers que nos é apresentado como antagonista da história e que podemos até coloca-lo como uma espécie de “bicho-papão” (Old Nick ou Velho Nick) da história, que existe até certo ponto uma forma doentia pela maneira que age. Temos ainda nomes de peso como Joan Allen que nos é apresentada no terceiro ato e trás certa renovação para a trama, nada de muito glamuroso, mas que faz a diferença na trama, assim como Tom McCamus que nos desperta curiosidade, mas que infelizmente não dispõe de tanta participação no filme.

William H. Macy também está presente no filme, mas com sua participação muito bem regrada e menor, algo que me faz pensar se o seu personagem poderia estar ali, ou ser substituído por outra ação no roteiro Então, nem a muito o que analisar de seu trabalho. E temos vários outros coadjuvantes que tem suas participações menores e até certo ponto mais importantes que as de William.

O Quarto de Jack 2

O Quarto de Jack 4A cinematografia é muito boa e fortemente carregada, mas nem por isso desfavorável, tudo mantido ali é para o bom entendimento da trama. Há certa combinação entre os figurinos dos atores e o ambiente. Os planos de câmera, logo nos primeiros minutos de filme, mantém sempre um paralelo entre a mãe e seu “bebê”, com igualdade para ambos, cabelos grandes e formas parecidas de se agir. Alem de usar as câmeras para uma visão em primeira pessoa que nos coloca na visão dos personagens.

A trilha sonora está a todo momento nos acompanhando, consegue traduzir muito bem a sensação das cenas e o que todos ali em volta sentem. Como a música pessoal das pessoas que podem estar enfermas e com a adrenalina mais ao alto, tanto que existem momentos que qualquer som é abafado, como o corpo humano entrando em uma espécie de frenesi.

Notas---G-Olhos

“Room” é mais um forte concorrente ao Globo de Ouro que nos trás uma boa história, que perde bastante o ritmo em seu ato final, mas que ainda assim passa muito bem sua mensagem. Boas atuações e uma fotografia impecável.

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