Victoria (2015) – Em Uma Noite Tudo Acontece

Cinema | Victoria: 

As vezes paramos para pensar e nos vemos assistindo unicamente a filmes com super produções que trazem dinheiro e lucros. Filmes grandes estarão sempre a frente e mesmo que não sejam bons, sempre terá um público. Hollywood está fadada a blockbusters e algumas vezes temos diretores nos apresentam algo novo.

Quer saber onde encontrar excelentes filmes? Coreia, Japão, Brasil, Alemanha etc, os países são muitos. Sair da caixinha as vezes é bom e te garanto que irá encontrar películas excelentes que se igualam (senão maior) aos famigerados da Terra do Tio Sam.

Cartaz - VictoriaDirigido por Sebastian Schipper (Mitte Ende August, 2009) que também assina o roteiro junto a Olivia Neergaard-Holm (I Am Here, 2014) e Eike Frederik Schulz (Nachtwächter, 2012). Com cinematografia de Sturla Brandth Grøvlen (I Am Here, 2014) e Trilha sonora de Nils Frahm (A Arca do Éden [Documentary], 2011). No elenco temos Laia Costa (Palmeras en la nieve, 2015), Frederick Lau (A Onda, 2008), Franz Rogowski (Love Steaks, 2013), Burak Yigit (Cinco Graças, 2015), Max Mauff (Sense8, 2015) e André Hennicke (A Queda! As Últimas Horas de Hitler, 2004).

Em uma madrugada comum, Victoria conhece quatro pessoas e na calada da noite seu envolvimento com eles muda completamente o rumo de sua rotina.

Victoria é um ótimo filme que dentro de seu plot trás inúmeras sensações que narram uma história de uma madrugada inteira até o amanhecer, dentro de um único take fazendo a jornada da nossa protagonista em duas horas e dez minutos (2h10) de filme em digamos assim, num ‘plano sequencia‘ (mas que pode ter reinterpretações, pois a técnica é usada de várias maneiras [vide Birdman], mas isso é papo para outro texto), nas palavras de seu diretor, o roteiro trazia apenas doze páginas sendo que a maioria dos diálogos eram todos improvisados. Sabemos muito bem que se algo desse errado, tudo deveria ser filmado novamente do começo.

Victoria

Contando com um filme que deixa literalmente em aberto o tempo real, o diretor soube manusear tudo com maestria. A métrica do roteiro é fluente e vemos um 360º desse “universo” e tudo graças aos atores que souberam muito bem como levar o filme e o cameraman que é o verdadeiro artista por trás da obra. Tanto que seu nome veio em primeiro nos créditos, antes mesmo do diretor. Sturla Brandth Grøvlen o próprio diretor de fotografia é o nome da pessoa por trás da câmera que acaba por mostrar a misé en scene, sua visão que vai além da do diretor. Por conta de toda a improvisação, ele determina o que vai ou não para a cena, trazendo veracidade na tela.

A cinematografia é competente, temos que ter em mente que o trabalho de câmera fora único, sem maiores auxílios. A direção optou pelo estilo, pois a sensação de se ter um dia só é o trunfo da película. O começo do filme é bem vagaroso, lento e nos apresenta a todos os personagens, uns menos e outros mais. O desenvolvimento deles é o crescimento mutuo que os atores necessitam para a sua criação. Há duas cenas de maior destaque que contém a menina tocando piano que é onde descobrimos um pouco mais sobre ela e os momentos finais, que a parte Laia Costa da um show de interpretação.

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Tendo isso em mente fica claro que a fotografia se dá em criação conjunta com os atores. São eles inseridos no cenário que só ganham vida graças as peripécias das pessoas na calada da noite. E o fato de ser quase que tudo improvisado, era o que necessitava a mão do cinematografo para com o manuseio da câmera, pois, apenas alguém com muita experiência para trazer toda a forma do filme.

Agora dos demais atores e por mais complicado que seja interpretar nesse tipo de filme a maioria estava nervoso e isso transpareceu na trama. O co-protagonista, Frederick Lau (Sonne) entrega seu trabalho, mas ainda assim aos trancos e barrancos, se não fosse pela Laia Costa (Victoria) talvez as cenas em que ambos contracenam poderia ser mais complicadas para dar continuidade.

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Victoria 5Dos demais personagens, o que ainda tem certa participação importante é Franz Rogowski (Boxer). A trama só da sua guinada de 180º por ser parte da sua jornada pessoal que leva consigo todos os outros. André Hennicke (Andi) aparece no filme, mas tendo sua participação bem regrada e objetiva.

A trilha sonora vem de musicas extra-diegéticas, optando pelo contrário em muitos aspectos, todos comemoram numa boate em que a música é lenta ao invés de alegre e frenética. O começo da película tem a música num tom grave, diferentemente da tentativa de alegria da personagem em cena.

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Nota-3,5

“Victoria” é um filme que vale a pena ser assistido e que trás consigo novidades para o cinema. O “Plano Sequência” é totalmente revisitado e ao mesmo tempo totalmente inovador e que auxilia na trama, ajudando a contar uma boa história. Pode pecar em ritmo e em algumas atuações, mas que não perde a curiosidade.

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