Westworld (2016- ) – Esses Prazeres Violentos, tem Fins Violentos

Parecia (quase) impossível uma série da HBO emplacar, depois de ‘Game of Thrones’. Eis que surgiu ‘Westworld‘, com muito dinheiro e baseado numa história de um dos grandes nomes da ficção cientifica moderna. Com o dedo de J. J. e a mente criativa do nome Nolan – mais a perspicácia de Joy – E a sonoridade de Ramin, nasceu um novo “Dream Team”.

Criado por Jonathan Nolan e Lisa Joy | Baseado na Obra de Michael Crichton | Trilha Sonora de Ramin Djawadi | com Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Ed Harris, Thandie Newton, James Marsden, Anthony Hopkins, Luke Hemsworth, Sidse Babett Knudsen, Angela Sarafyan, Jimmi Simpson, Shannon Woodward, Ben Barnes, Ptolemy Slocum, Leonardo Nam, Ingrid Bolsø Berdal, Rodrigo Santoro, Simon Quarterman, Tessa Thompson, Louis Herthum e Participação de Steven Ogg.

298580Sinopse | Uma série inspirada no filme de 1973 do mesmo título dirigido e roteirizado por Michael Crichton sobre parques temáticos povoado pelos “Anfitriões”, seres munido de I.A. (Inteligência Artificial).

Não é de hoje que as produções televisivas vem ganhando espaço na mídia – muito graças a gratuidade dos últimos mega filmes de Hollywood – o que antes era quase um insulto, uma vergonha ser ator da tevê, hoje é algo bem comum. Não só no ramo da atuação, como também da produção, o que trás para essa película televisiva grandes nomes e tudo graças há uma série divisora de águas: LOST!

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De mesma produção e com os mesmos maneirismos de se contar uma história enigmática, estamos num conceito antigo de “parque temático”, como o famoso “Jurassic Park”, que veio depois do filme ‘Westworld’ de 73, porém, aqui há uma inversão de papéis, pois com a nova série, os robôs passaram a serem os protagonistas, então toda aquela trama dos vilões humanoides passa a ter – digamos assim  – uma explicação. Há uma lógica para o ataque dos androids.

Muito do conceito do roteiro pode ser explicado graças as três leis da robótica de Isaac Asimov. Mas para não enrolar nessa crítica, acompanhe o primeiro episódio do podcast do Nerding About, o AboutCast:

DownloadAboutCast | #001. O Universo de Westworld | HBO

A trama em nenhum momento cita as tais três leis e não precisa, pois fica claro na atitude dos dos anfitriões que tais informações estão contidas ali.

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O roteiro se mostra mais além, pois é rico e sabe como contar a história, mesmo havendo pequenos furos (que quase não incomodam), toma forma num contexto não linear que apenas nos damos conta disso lá pela metade dos episódios. Temos três linhas de tempos distintas – quatro para ser mais exato – que ficam se cruzando entre si nos dando uma certa confusão proposital que faz parte de toda a explicação lógica da trama.

Os diálogos são muito bons, uma produção “cabeça” mas que em nenhum momento questiona a inteligência de seu público, sendo apenas necessário prestar muito a atenção em tudo que está sendo dito.

As nuances interpretativas são outro ponto forte. Seja nas inflexões dadas pelos atores ou certas cenas e em que os ângulos de câmera compõe a mise-en-scène. De fato não é apenas o roteiro a contar a história. O cenário, um olhar ou a própria cena em si como a mudança de paradigma que se faz com os movimentos de ângulo, pode ser atribuído como uma das formas de narrativa.

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A música é outro fator importantíssimo em Westworld. Seja por suas músicas diegéticas que atribuem o fato do Saloon Mariposa tocar canções atuais – trazidas para dentro desse universo – ao invés daquelas especificas de Western.

Para que tudo não passa de uma encenação (para os hospedes) e que o que estamos vendo, é uma película de ficção cientifica (para o público).control-room-delos-mesa-hub-westworld

Existem outras milhões de quebras. Como a cenas nos laboratórios da Delos. Enquanto o mundo do velho oeste é enorme e com grandes paisagens, sempre visualizadas em planos abertos, as cenas do mundo real são quadradas, com cores opacas e escuras – alguns detalhes vermelhos – planos fechados e detalhados.

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Sobre as atuações, podemos dizer que todas funcionam. Onde posso classificar entre: Personagens de Participação Impontante, como Dolores Abernathy (Wood),  a protagonista que amarra toda a trama, é sob seus olhares que acompanhamos boa parte da série e onde praticamente todos os pontos convergem. Em contra partida a personagem Maeve Millay (Newton), rouba a cena inúmeras vezes. Contando que sua trama faz parte de um dos arcos realmente principais, sendo que tudo depende dessa evolução da personagem. Que leva consigo os personagens Sylvester (Slocum), Felix (Nam), Armistice (Berdal) e Hector (Santoro) sendo todos do elenco de apoio e que ajudam a narrativa da personagem.

Rodrigo Santoro, por exemplo, não é mais só um brasileiro brincando de atuar em filmes grandes. Agora seu personagem tem fundamento para a trama onde o ator desenvolve seu papel com maestria.

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Assim como a maioria desses apoios elevam a personagem Maeve, podemos dizer o mesmo para os que acompanham Dolores: Teddy Flood (Marsden), William (Simpson), Logan (Barnes). Ao que tudo indica, há semelhanças na maneira como ambas as personagens buscam seu objetivo, de formas diferentes mas com o mesmo “fim”.

E por fim, o que dizer dos outros atores/personagens, que começando por Dr. Ford (Hopkins) é um deleite a parte. Cada nuance interpretativa é uma maneira a mais de extrair cada significado, seja de pequenos gestos ou inflexões. Há maneirismos que o próprio ator coloca no personagem. É um ator experiente que sabe muito bem o que está fazendo. Pode ser esse o personagem que acompanhara lado a lado com outro em sua carreira; Hannibal Lecter.

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Bernard Lowe (Wright) não fica atrás do grande ator, igualmente consegue extrair o máximo do roteiro e mostrar um grande personagem. se por um lado temos Maeve e a Dolores é com certeza o Bernard que nos mostra mais daquele mundo real de outros personagens que são igualmente bons em seu caminho e que lhe dão o apoio necessário. Seja pela parceria de cena Elsie Hughes (Woodward), ou a forma de envolvimento que o leva para Theresa Cullen (Knudsen), que a proposito há um dos melhores diálogos envolvendo os dois personagens que levam a significar a maneira como o personagem é comparado a um pavão.

Ed Harris é o outro nome de peso no elenco – assim como Hopkins – ele é denominado como “O Homem de Preto” e por assim dizer o antagonista da história. O “Vilão”, aquele que é cheio de camadas e que leva o público a questionar qual seria seu objetivo ali dentro. Ele passa praticamente por todos os personagens, mas se há um em especifico que é fundamental para sua narrativa é Lawrence (Collins Jr.).

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charlotte-sizemore-westworld-episode-8-trace-decayHá outros é claro, mas posso dizer que poderiam um pouco mais na trama. Aqueles personagens de escalão mais baixo e que tem importância minima na trama (por enquanto).

Lee Sizemore (Quarterman), Charlotte Hale (Thompson) e Clementine (Sarafyan). Sendo essa última um pouco mais importante para a história como um todo e os dois primeiros sendo subtilizados, sendo Sizemore o apelo cômico numa trama mais densa e dramática.

Deixando para o final o personagem Peter Abernathy (Herthum), pai original de Dolores que apesar de ter participado apenas no primeiro episódio, consegue roubar a cena. Simplesmente definiu toda a série por interpretar o que é um robô com I.A. (inteligência Artificial). As nuances em que simula a pane (parecido com algo cerebral) e a maneira como muda sua índole, são dignas de aplausos e uma das cenas mais essenciais de toda a temporada.

A direção de arte, munido da cinematografia é outra coisa esplendorosa. Muito daqui é inspirado também no filme de 1973. E há também muito da fonte dos vídeo games, seja pelo jogos de mundo aberto tais como: “GTA”, “Red Dead Remdeption” entre outros, até a maneira como os personagens agem por serem NPCs. Pois em Westworld não é tão diferente assim. Nolan e Joy disseram ter jogado esses como inspiração.

E os efeitos visuais conseguem por fim definir o crescimento da técnica de rejuvenescimento. É simplesmente “surreal” poder ver Anthony Hopkins jovem novamente. O que pode ser algo bom para qualquer produção futura.

no-geral

Notas:

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Um comentário sobre “Westworld (2016- ) – Esses Prazeres Violentos, tem Fins Violentos

  1. Pingback: O Universo de Westworld | HBO – Ponto final. Na mesma linha…

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