Sense8 (2015) – A Volta Filosófica dos Irmãos Wachowski

No ano de 1999 eu me deparei com um filme que hoje pode ser considerado um clássico do cinema. Assisti  em VHS no meu famigerado Vídeo Cassete. Para a época o filme quebrava paradigmas e durante alguns anos ficou sendo um dos melhores e que talvez tenha moldado a minha opinião relevante a sétima arte, fazendo-me ser o cinéfilo que hoje sou. Matrix trouxe uma legião de fãs, com sua ação e aventura desfreada junto ao seu enredo cabeça e filosófico. Foi uma pena que The Wachowskis após isso declinaram fundo ao abismo, criando a partir dali uma infinidade de filmes que apenas visavam visual, ação e nada mais.

Quando achei que não veria outra criação digna desses irmãos talentosos, eis que a Netflix nos proporcionou uma ótima série (mais uma dentre tantas), Sense8. E aqui, meus amigos é o retorno de dois grandes cineastas que se acharam no meio do tempo perdido.

medium-cover-1Criado por: J. Michael Straczynski, Lana e Lilly Wachowski | Músicas de Johnny Klimek e Tom Tykwer | Cinematografia de John Toll | Edição de Joseph Jett Sally, Joe Hobeck e Fiona Colbeck | Elenco com Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai, Tuppence Middleton, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Daryl Hannah, Aml Ameen, Affonso Herrera, Max Mauff e Naveen Andrews.

Sinopse | Um Grupo de pessoas ao redor do mundo que estão ligadas mentalmente, e precisam achar uma maneira de sobreviver sendo caçados por aqueles que os veem como uma ameaça para a ordem mundial.

Confesso que logo que descobri a série fiquei com um pé atrás. Os criadores vieram de filmes criticados até então e esse poderia ser apenas mais um entre tantos. Assim que estreou fui conferir e te digo que pelos primeiros episódios achei a série cansativa e tediosa. O enredo confuso e atuações bem simples; E o que esperar de uma abertura que de repente levamos um choque de imagens. E muitas incógnitas apareceram em minha mente.

Tudo ocorrido em seu inicio foi proposital, algo muito arriscado diga-se de passagem, pois isso poderia (ou fez) perder alguma audiência. Talvez aqueles desacostumados ao ritmo lento de filmes que apenas gostam de ação ou uma grande aventura, poderia desligar na metade do episódio e ver outra coisa. Mas acreditem, lá para o episódio quatro ou cinco, o ritmo melhora e o entendimento da trama toma uma forma e começamos a visualizar o plot de uma outra maneira.

A trama é desenvolvida de duas maneiras. Existe a trama principal e as subtramas, pois estamos falando de 8 personagens principais de localidades totalmente diferentes e sendo assim vivendo vidas separadas até então. Cada um possui seus problemas, seus sonhos e vontades e isso é posto a prova unido da trama principal, o que é feito de forma quase sublime na série, tirando um ou outro personagem. Essas subtramas são o que a série tem de melhor, mas nesse quesito elas devem ser trabalhadas em prol da trama principal. O roteiro é muito bem amarrado, não há furos e tudo muito bem interligado.

Os atores foram muito bem escolhidos, aqui não existe muitos conhecidos. Apenas a participação da atriz Daryl Hannah (Kill Bill: Vol. I e II) e do Naveen Andrews (Lost) que fazem muito bem seus papeis, ambos são a ponte para os demais personagens. Há uma ou outra cena em que vemos uma falta de capricho, mas decorrente ao roteiro.

Há uma boa fotografia, as localidades são bem certeiras. Só existe uma falta de informação para sabermos em quais pontos do mapa estamos, se ainda é os Estados Unidos, ou em que lugar da Africa a história está nesse momento. Algo que poderia ser melhor colocado.

A edição é tão boa, que me fez colocar o nome dos editores no inicio da crítica. É incrível que no makingoff da produção, sabemos que tudo fora filmado direto e reto como um filme e somente depois, na edição fora feito os devidos cortes e separados em capítulos. Acreditamos que aquele grupo de pessoas estão em cada lugar no mapa, mas ao mesmo tempo juntos e de forma única.

A trilha sonora não é muito notável, mas complementa a obra e a cada direção vemos as mãos de seus diretores. Usando-se muito mais de músicas diegéticas, a série consegue usar isso a favor de uma forte identificação com o público e vemos claramente isso na cena a seguir: 

Quando certo episódio aborda algo mais polemico podemos imaginar o porque de certa escolha. Não é nenhum segredo, que os dos irmãos são transsexuais e isso reverbera bastante na história. A personagem Nomi feita pela atriz Jamie Clayton passa por problemas por ser transgênero e temos as cenas do personagem Lito feito pelo ator Miguel Ángel Silvestre, um ator mexicano de filmes de ação que também passar por problemas semelhantes de preconceito.

E voltando lá trás, quando disse da abertura da série, é que mostrando inúmeros continentes e lugares, você não imagina do que a obra se trata, mas há ali certa cena que foram feitas apenas como uma forma de “chocar”. Em que dois homens, parrudos e barbados chupam um mesmo sorvete. Existe ali uma conotação sexual muito forte, nada contra as cenas obtidas dentro da trama e quero que saibam que em nenhum momento agirei como homofóbico.

Luto para que todos sejam aceitos da mesma forma. Mas a cena em si obtida na abertura, chega de fato a ser gratuita apenas com o intuito de chocar.

Sense8 é uma série que vale a pena ser assistido. Não me segurava em poder ver tudo de uma vez, pois conseguiram me prender de uma maneira incrível. E é bom saber que os dois criadores voltaram as raízes, trabalhando com algo que beira a filosofia, junto de uma boa ação em um roteiro bem escrito e amarrado.

OBS. Existe realmente todo um conceito filosófico no tema central da obra. Muita coisa a ser dita mas que requer uma nova matéria, focada apenas nisso.

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