“A Vila de Pedra” do Universo – A Chave do Destino –

Karina era apenas nervos naquele dia – Dias comuns para qualquer pessoa que morasse na Vila da Raposa Branca –  Mas para a pequena garota significava mais deveres a serem feitos, pois sua irmã partira em jornada, sem levá-la (o que era pior, segundo a menina). Birra de filha mais nova – É claro…

Assim que acabara suas tarefas, se encontrava a beira da Orla, olhando a areia no chão da praia e pensativa consigo mesma. Não acreditava que sua irmã – Kaila – Pudesse ser tão má a ponto de não leva-la em sua jornada. “Você é uma criança ainda, não posso leve-la”. Como ousava dizer aquilo a uma menina de dez anos de idade, praticamente uma mocinha (Como diria o Vovô Orlando). Por todos aqueles anos de vida ela ouvira as histórias de seu vovô e sabia de cor e salteado toda as lendas que outrora eram contadas. Lenda essas que sempre acreditou ser verdade – perto de sua irmã, que com o tempo passou a apenas pensar nelas como boas histórias. E agora, Kaila seria uma boa história e ela… Não! Ou era o que acreditava…

– Está triste pobre criança? – Disse a voz de uma velha, chegando de mansinho perto de Karina.

– Eu não conheço você! – Indagou a menina – Meu pai disse para eu não conversar com estranhos – Falou a garota, agora levantando-se para ir embora.

– Mas eu não sou estranha… – Começou a dizer a velha, entendendo a pressa da jovem e indo atrás dela com certa curiosidade – Sou apenas uma viajante a procura de informações! – Falando isso com um sorriso no canto da boca.

– Você pode pedir informações para alguns dos moradores ali na frente, se quiser! – Apressando o passo, querendo se livrar da velha.

– Porque eu perguntaria para pessoas comuns, se posso ter uma boa prosa com uma garotinha especial como você… – Insistiu a incansável senhora – Conhece algo sobre a “chave do destino”?

– O que? – Perguntou assustada – Você… ?

– Sou apenas uma historiadora louca por lendas! – Disse por fim a velha senhora, um pouco irônica.

– Eu não conheço muito… – Respondeu meio preocupada – Meu vovô que conta essas histórias e ele…

– Vovô? – Perguntou com um certo ar de curiosidade – Um senhor de idade… Vincenzo Fatori?

– Não! Vincenzo já faleceu há muitos anos… Meu avô… Eu… minha família é descendente dele!

Como numa especie de frenesi, a velha começou a mudar sua feição de pobre e inocente para malévola e poderosa em apenas um sorriso. Karina percebeu isso e começou a lentamente andar para trás.

– Então eu procuro a informação no lugar correto! – Gritou a velha, com uma voz que não vinha dela. E percebendo que Karina tentava fugir sorrateiramente, começa a segui-la passo a passo. 

– Já falei demais com uma estranha como você… – Olhou para trás à procura de ajuda – Eu preciso ir…

Antes que fosse, a velha mudando sua forma mostra ser verdadeiramente quem é. Uma Mulher de roupas pretas com detalhes dourados num rosto cruel e de poucos amigos.

– Você pequena garotinha! Insolente… Você é a guardiã! – E começou a indagar palavras estranhas numa língua antiga.

– Não! – Gritou Karina, desesperada para aquela mulher – Minha irmã é… Você não pode fazer nada conosco!

– Sua irmã? Diga-me sua garotinha insolente, onde ela está?

– Não vou dizer, você irá atrás dela! – E Karina tentou correr para longe da bruxa, que usando sua magia, apareceu bem a sua frente de novo.

– Eu vejo em seus olhos… – Disse agora a bruxa, com uma certa curiosidade – Você não gostou de saber que não era a guardiã escolhida… Não é verdade?

– Como você… SAIA DA MINHA CABEÇA… – Gritou caindo ao chão a pobre menina. 

A Vila toda parou o que estava fazendo quando percebeu os gritos de Karina. Todos agora olhavam com curiosidade a grande Bruxa que ali estava. Alguns se ajoelhavam de medo e outros corriam para tentar se esconder. A família da menina estava ali e não sabia o que fazer. Vovô Fatori tentou se aproximar da menina; “Nada disso, velho insolente” – Disse a bruxa e jogando sua magia, paralisou toda a vila com apenas um estalar de dedos.

– Eu sei tudo que se passa em sua cabeça – Falou para Karina – Sua decepção, sua raiva e o medo também. E sei que você quer vir comigo e sei como posso lhe ajudar!

– Não! – Disse Karina com fraqueza em sua voz – Eu não posso trair a minha irmã… Por mais que eu quisesse ser a guardiã escolhida… – E cai ao chão, desmaiada… 

– Você vai vi comigo – Disse a bruxa, pegando a menina no chão – Será útil na minha caçada! – Então, começou a evocar novas palavras na mesma língua estanha. O céu ficou negro, o céu trovejou e o mar ficou violento…

Num breve momento, Karina conseguiu – mesmo fraca – abrir os olhos e viu sua mãe, parada, imóvel diante o poder da bruxa com cara de assutada.

– Mamãe… – Disse quase como um sussurro, mas que fez a bruxa entender – Ela nos descobriu… 

– Nada poderá salvá-los! – Disse a bruxa, rindo histericamente… – E terminando seu feitiço, indagou as últimas palavras – Hic et nunc, Phedra in aeternum!

De repente as pessoas começaram a ser transformados em pedra. Toda a vila ficou imóvel como uma rocha cinzenta, com exceção de Karina, ainda erguida pela bruxa. 

Fraca e sem mais o que fazer Karina ainda tentou encostar na bruxa, mas não tinha forças. A bruxa olhou para ela e deu um sorriso de canto de boca.

– Você queria ser a escolhida, não é mesmo? – Perguntou quase que ao leu – Queria ter tanto destaque quanto a sua irmã… Eu já disse garotinha. Eu sinto a raiva e a frustração que tem dentro de você… Sua inveja por não ter nascido com o grande poder destinado a coisas magnificas que é o poder dos Maluns e que poucos seres humanos podem ter. – Olhando para o Horizonte ainda disse – Tenho uma boa noticia para ti. Tudo isso que você está sentindo, pode ser revertido em magia e você terá o destaque que sempre quis… – Com um sorriso no rosto, levantou uma das mãos, indagou uma rápida magia e sumiu.

A Vila da Raposa Branca era agora um eterno silencio.  Não se via ou ouvia nada. E bem próximo a Orla estava a casa que fora da família Fatori. Seus pais, seu avô, agora eram rocha. Tudo isso porque o coração da menina ardia em chamas pelo ódio e a frustração que sentira em não ser a escolhida; Algo que alimentou ainda mais o poder da bruxa que agora usará isso a seu favor.

 

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