Sobre Games | #.01 | “Por que não posso jogar meus jogos Bluray de PS3 no PS4?”

por Thiago Possa

A pergunta pode parecer um pouco antiga já que temos o PS4 e suas iterações ( Slim e PRO ) já estabelecidas. Mas então me responda, porque não podemos rodar jogos de PS3 diretamente no PS4 assim como é possível ( com alguns jogos pré determinados ) no Xbox One?

Seria isso uma conspiração capitalista que pretende nos obrigar a comprar remasters sempre que compramos um console novo? Ou existe uma motivação verdadeira para a Sony não executar essa retrocompatibilidade?

Vou explicar de uma vez por todas esse problema meus caros!

Começando pelo começo: Lembra do PS2?

Claro que lembra! Então, a Sony dominou o mundo com essa belezinha, e ela desejava muito manter o domínio da indústria com o seu sucessor, o “problema” é que a Sony não fabricava só consoles e várias pessoas dentro dela tinham interesses diferentes, por conta disso era comum – como no caso do PSone e PS2 – os consoles carregarem tecnologias que a própria Sony desenvolveu, como os consoles vendiam muito bem era praticamente certo que aquela tecnologia supernova que eles desenvolveram seria popularizada, como foi o CD e o DVD.

Assim o PS3 além de possuir uma nova mídia; o BLURAY – agora bem conhecida apesar de nunca tão popular como as já citadas – e um processador muito poderoso chamado CELL.

Se você é um(a) nerd respeitável deve saber como se mensura um processador nos dias de hoje: 2ghz, 3ghz, 2 cores, 4 cores e etc. Saiba que o CELL era tão revolucionário que não dava pra descrever ele de forma tão simples, tudo era citado como “equivalente” já que não existiam parâmetros, era como uma tecnologia extraterrestre em um vídeo-game.

A ideia da Sony era vender tantos PS3 que esse processador seria fabricado em larguíssima escala e com o tempo ficaria barato, posteriormente iriam fazer versões para celulares com esse mesmo processador e assim, definitivamente, ela dominaria o mundo.

Mas não foi assim que funcionou, o processador era complicado demais para os desenvolvedores e o X360 com sua arquitetura de PC se tornou a plataforma principal para o desenvolvimento de jogos multiplataforma. O que acabou quebrando o ritmo da Sony que só conseguiu se recuperar trabalhando muito duro durante a geração investindo muito em jogos exclusivos que, por serem desenvolvidos especificamente para sua plataforma, podiam driblar as complexidades do CELL e desenvolver jogos que usavam o máximo da plataforma.

Agora sim chegamos na parte crucial, o Playstation 4 precisava ser um console que faria a Sony voltar ao topo e para isso precisava fazer um console mais amigável com o desenvolvedor, que fosse barato de fabricar e pudesse gerar lucros desde a primeira unidade.

Aí temos um problema, para alcançar todas essas características a Sony precisava de um console com particularidades mais próximas de um computador, esse tipo de arquitetura é completamente diferente do CELL então os jogos não poderiam naturalmente serem “reconhecidos” pelo novo console. Eis que ela decidiu optar por essa “nova” arquitetura, investindo – corajosamente – em tecnologias “batidas” que fariam o console um ambiente familiar para o desenvolvedor, barato para desenvolver e possibilidades para diminuir ainda mais o custo de fabricação com o tempo bem como criar versões muito mais poderosas dentro da mesma arquitetura.

Tudo isso sacrificou a possibilidade da retrocompatibilidade, e a possibilidade de emular – simular o funcionamento de jogos de PS3 no PS4 – existe, mas é muito complexa e exige muito desenvolvimento devido a complexidade do processador CELL, sendo assim os próprios funcionários alegaram não estar dentro dos planos da empresa criar esse tipo de funcionalidade como existe no Xbox One que tem a capacidade de rodar alguns jogos de X360 – um artifício que não é retrocompatibilidade real e é um assunto pra outro artigo.

Apesar das críticas no início da geração, os números demonstram que a Sony esteve correta em abandonar esse recurso do PS4, lembrando que o próprio PS3 tinha retrocompatibilidade com o PS2 e esse recurso deixava o console muito mais caro e era pouco utilizado pelos jogadores. Porém, apesar disso tanto o PS4 PRO quanto o Xbox Scorpio indicam a possibilidade de que os consoles da próxima geração sejam uma versão mais poderosa da mesma arquitetura presente nos consoles, sendo assim não haveria motivo para os jogos atuais não funcionarem nos futuros aparelhos, resta saber se as coisas seguirão dessa forma.

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